"E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado."
"Daí ela se lembrou de como é ser forte. Ela enxugou suas lágrimas e sorriu. Sim, sorriu, porque ela sabe que algo melhor está por vir. Ela sabe."
“Eu sei que você tem uma coisa por mim, dá pra ver na sua cara, mas hoje ficou provado que não é maior do que o amor que você sente por ele.”
Queria simplesmente poder dizer ‘Riddikulus !’ e ver todos esses Bichos-Papões deixarem der ser essas coisas medonhas e me fizessem rir.
"Eu hoje não quero mais nada, só você pra me abraçar."
"Fica mais, fica mais um pouco, porque muito de você pra mim ainda é pouco."
Charlie Brown Jr. (via tekpix)
”Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louca pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir.”
(Source: gabitonunes)
Ser feliz com ela é o caralho, vem ser feliz comigo !
"Eu abro meus olhos e a primeira coisa que sinto é aquela ressaca que em geral segue umas boas doses de vodka. Boas doses de vodka e de… Como ela diz mesmo? Ah, sim. Vagabundas loiras. E qual é o nome dessa mesmo? Tanto faz. Pelo menos tem sono profundo e não se acorda com facilidade que nem algumas, pelo menos essa tem aquele loiro platinado horrível que as mulheres insistem em pintar. Pelo menos essa tem os olhos azuis e tão superficiais que quase dá para tocar na futilidade que eles exalam. E, por pouco segundos, me permitem esquecer que… Porra. A ressaca não foi a primeira coisa que veio à minha mente assim que eu acordei. Não, nunca é. São quatro e meia da manhã, eu estou saindo do apartamento de alguma garota que eu nem sei o nome. Eu acabo de foder ela. Acabo de ter o que qualquer garoto quer, e… Porra. Porra. Porra. Não é o que eu quero. O que eu quero tem nome, endereço, cabelos longos e castanhos. O que eu quero mora longe daqui, longe do alcance das minhas mãos e do meu corpo. Só que… Caralho. O que aconteceu comigo? Ela não tem nada demais. Além de um sorriso que pode derreter o mais duro dos corações e olhos tão frios que me fazem ter vontade de esquentá-la. É que nem os caras vivem me dizendo - eu só preciso de um ar fresco, um tempo longe dela e muitas mulheres para tirarem aquela pele macia da minha cabeça. O único problema é essa voz irritante dentro da minha mente que vive repetindo que não, isso não é possível. Não importa o quanto eu tente, com quantas loiras eu durma… Sempre vai ser assim. Eu sempre vou acabar andando pelas ruas, de madrugada, correndo até a minha casa. E, durante todo o percurso, pensando nela. Não só nela, mas em nós dois. É quase deprimente a maneira como uma única garota pode mudar uma vida inteira de zoação e promessas de desamor. Mas… É isso que aqueles malditos cabelos castanhos fizeram comigo. Me transformaram num desses babacas românticos que saem por aí cantarolando músicas sem sentido e ficam felizes apenas por poderem falar com a garota. Ela me transformou num desses caretas que correria pelo mundo e se ajoelharia em cima da Torre Eiffel para pedir alguém em casamento.
(Alguém, não. Ela.)
Só que, mesmo assim, não podia ser amor. Amor é algo tão… Fraco. Amar é a maior fraqueza que um ser humano pode sentir, e ela só me deixava mais forte. Eu não sabia o que era, mas essa coisa fazia com que eu me sentisse invencível, como se nada no mundo pudesse me deter, desde que ela estivesse por perto. E esse é o problema. Eu a afastei de forma tão fugaz, como se eu estivesse sonhando. Nós estávamos tão perto de ter tudo, tão longe do resto do mundo. E, então, eu a vi desaparecer por entre os meus dedos. A última coisa que enxerguei foi seu olhar triste me encarando e dizendo que eu deveria sentir muito. Que eu deveria ser aquele que a salva, não que a sua ruína. Eu esperei as palavras de repreensão, esperei pelos gritos de raiva e pelo completo ódio vindo dela. E não recebi isso… Só o seu silêncio. Ela me olhou o tempo todo enquanto se afastava. E eu quis correr, quis agarrá-la, tê-la comigo para sempre. Mas ela foi mais rápida, e sumiu. Assim que o último fio de seus cabelos deixou minha vista, eu me arrependi para sempre por não ter insistido um pouco mais.
E é exatamente por isso que, nesse exato momento, eu estou deitado na minha cama, com o telefone na mão e a vontade de ouvir sua voz presa na garganta. São quase cinco, mas eu a conheço. Ela não dorme sem ver o nascer do sol. Não em dias frios como hoje, não quando a lua brilha tão forte lá no céu. Eu quase posso imaginar ela sentada na sua cama, com algum livro surrado entre as mãos e as cobertas tapando-a até o nariz. Eu quase posso senti-la…
E é exatamente por isso que eu não consigo evitar o ímpeto de discar seu número e ficar igual a um retardado esperando pela resposta que talvez nunca venha. É por causa de toda essa confusão dentro de mim que eu espero conseguir achar uma resposta pra essa pergunta silenciosa que venho me fazendo faz tanto tempo… Será mesmo que eu – não. Não pode ser.
- Você não cansa mesmo, não é? – Eu estava distraído e essa voz me acerta em cheio. Eu sempre espero o dia em que eu vou te ligar e não vou sentir nada quando você atender. Nem meu coração começar a se agitar, nem minhas mãos quase tremerem. Mas essa voz de veludo, calma, baixa e ligeira, sempre me atinge da mesma maneira. Sempre faz com que eu pense coisas impossíveis.
- Achei que já tivesse se acostumado com a ideia. Talvez eu nunca canse de você.
(Silêncio.)
- E se eu me cansar? Não sei se já lhe ocorreu esse pensamento, no meio do teu ego inflado. Mas, talvez, eu já esteja cansada faz muito tempo, Henrique.
Meu nome nos seus lábios faz com que eu revire meus olhos para não pensar nas besteiras que poderiam ser ditas nesse momento. Por que, infelizmente, não há mais espaço para essas baboseiras serem ditas. Acabou-se o tempo em que você ria de tudo o que eu falava, que você ficava vermelha com insinuações. Você cresceu, garota. Cresceu rápido demais.
- Na verdade, me ocorre isso o tempo todo. Por isso que eu insisto em ligar, sabe? É a minha forma de te informar que eu não esqueci. Nem me cansei. Tem também toda aquela coisa batida de querer ouvir sua voz e saber como você está… Mas também é pra saber se você ainda não me esqueceu. Se não encontrou outro peito pra se deitar, outra boca pra… Pra ser melhor do que eu fui.
- Henrique…
- Diga.
- Você já sabe que não. Que merda. Você sabe que eu não encontrei outro alguém, e me liga para fazer essa tortura psicológica. Afinal… Quantas garotas foram nessa última semana? Três, quatro? Henrique. Você é sempre assim. Aposto que acabou de sair da casa de uma dessas suas mulherzinhas sem sal, e daí me ligou pra dizer que eu faço falta. Por que eu sou a única que tem um QI positivo. Mas você não sabe como é aqui, Henrique. Você não tem ideia de como as coisas tem sido pra mim. Você se diverte, esquece por uns momentos… Eu não. Eu não sei mais o que fazer para tirar você da minha cabeça.
(Silêncio.)
- Não é sempre assim, Anna. Não é como se ir para a cama com qualquer uma pudesse tirar você da minha cabeça. Acredite se quiser, não tira. Se tirasse, eu teria dormido e feito café-da-manhã para elas, não? Eu teria sido o príncipe que você já me acusou ser. O fato é que essa parte minha só acontece contigo. Eu quero te fazer bem, Anna. Tu não tem ideia do quanto. Mas você não deixa. Se eu me aproximo, você me joga fora. Porra, Ana.
E tudo seria tão mais fácil se eu simplesmente não me importasse, como você sempre disse que eu não me importo. Tudo seria tão mais simples se parte de mim não quisesse sair correndo de onde eu estou para ir te ver, te abraçar, te ter mais uma vez. Se eu não largasse tudo que eu tenho por apenas uma noite na tua companhia. Se a tua voz não fosse a mais reconfortante. Se até o teu suspiro não despertasse o meu lado mais selvagem. Tudo seria tão simples se eu não te quisesse com a vontade de uma criança que grita pelos pais.
- E você acha, Henrique, que merece outra coisa?
(Não.)
- Sim.
- Henrique, por favor…
- Ana.
(Silêncio.)
- Não me vem com essas tuas súplicas dengosas e abafadas. Por favor digo eu, Anna. Não faz essa voz e pede pra eu te esquecer. Não faz isso comigo.
Eu começo a escutar um choro baixinho e abafado, e desejo com todas as minhas forças estar ao teu lado para poder te abraçar.
- Não, Henrique. Eu já te dei minha condição. – silêncio – Se me quer, vai ter que me amar por inteiro. Vai ter que ser capaz de admitir para o mundo o que sente por mim, certo? Se não, nada feito.
- Então, é isso? Acabou?
(Silêncio.)
- Ana?
- Não, Henrique, não acabou. Nós dois não chegamos nem a começar.
(Se não começamos, por que você não desliga o telefone e me manda embora? Se nunca houve nada, por que eu ainda escuto a sua respiração se igualar à minha? Me explica, meu Deus. Me explica o que é essa coisa que sempre me faz voltar para você. Essa coisa que emana do teu corpo e me faz querer ficar, quando tudo que eu sempre quis foi fugir.)
- Então, Anna, se a gente nunca existiu, qual o sentido disso tudo?
- Disso tudo o quê?
(Silêncio.)
- Não finge que não sabe do que eu estou falando, Anna. Eu passei meses atrás de algo que me fizesse esquecer, e não encontrei. Você fez o mesmo, e continua escrevendo nesses seus malditos diários como nunca vai encontrar alguém como eu. Nega o quanto quiser, mas você sabe que no fundo eu fiz com que você se sentisse viva, pela, possivelmente, primeira vez na tua vida. Eu sei como você se sente, por que eu sinto o mesmo, Anna. Droga.
- Henrique… Chega disso. De que adianta? Como você mesmo disse: qual o sentido disso tudo? A gente vai fazer as pazes, vai ficar bem por um tempo e depois você vai querer voltar para a sua vida. E como eu fico? Você nunca vai mudar, Henrique. Sempre vai ser essa mesma criança imatura que não consegue admitir os sentimentos por mim. O mesmo menino que se esconde toda vez que dá de cara com alguma coisa séria e significativa… Você nunca vai mudar, e essa é uma das razões pelas quais eu te amo. Quase como se você trouxesse de volta a parte imatura que eu nunca existiu em mim.
(Silêncio.)
- Henrique, ainda ta aí?
- Sim.
- Era isso que você queria ouvir?
(Sim, isso e como você está pegando um táxi e correndo para o meu apartamento. Isso e como você mudou de ideia a respeito de nós dois, e quer me deixar tentar de novo. Isso e como você não se importa com todos os meus defeitos, como você acha bonitinha a maneira como você me deixa sem fala. Como você pode ignorar os meus pecados e ver apenas o bom de nós dois. Só que…)
- Na verdade, não.
- Não? - Eu queria ouvir você me mandando embora e dizendo que eu sou um canalha por ainda pensar em te ligar. Ou que você já tinha se esquecido do meu nome e não queria me ver nunca mais. Sei lá, eu queria ver se assim fica mais te tirar da minha cabeça.
- Eu não minto. Pelo menos não para você, Henrique.
- Esse é o problema. Eu também não. E por isso…
- E por isso não pode me amar.
- Ana.
- Não diz mais nada, por favor.
- Ana. Me escuta.
- Henrique, desculpa. Eu já escutei demais… Escutei demais por anos. Agora, chega. Eu te amo, você sabe disso. Eu sempre vou estar aqui, inconscientemente. De alma. Mas eu… Eu tenho que ir, Henrique. Tenho que seguir meu rumo, arrumar algumas novas histórias. Tenho que esquecer você, custe o que custar.
(Silêncio.)
- Henrique?
- Estou aqui.
- Se quiser ouvir minha voz, me ver, se bater a vontade de nós dois… Engole pra ti, por favor.
- O que isso significa?
- Não me liga mais.
- Ana.
(Silêncio.)
- Você me enfraquece.
- Adeus, Henrique.
(Não, por favor, não…)
- Esper…
(Linha muda.)
(Silêncio.)
- Eu te amo."
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"E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado."
"Daí ela se lembrou de como é ser forte. Ela enxugou suas lágrimas e sorriu. Sim, sorriu, porque ela sabe que algo melhor está por vir. Ela sabe."
“Eu sei que você tem uma coisa por mim, dá pra ver na sua cara, mas hoje ficou provado que não é maior do que o amor que você sente por ele.”
Queria simplesmente poder dizer ‘Riddikulus !’ e ver todos esses Bichos-Papões deixarem der ser essas coisas medonhas e me fizessem rir.
"Eu hoje não quero mais nada, só você pra me abraçar."
"Fica mais, fica mais um pouco, porque muito de você pra mim ainda é pouco."
Charlie Brown Jr. (via tekpix)
”Me diz alguma coisa, vai. Me fala tudo aquilo que eu ando louca pra ouvir da sua boca. Sussurra, então. Ou me ensina a receptar telepatia. Porque eu já estourei minha cota de intuição. Diz que me adora, que gosta de mim, que sente saudades minhas e uma vontade insana de me ver em plena quarta-feira. Sei que não muda nada, mas eu preciso ouvir.”
(Source: gabitonunes)
Ser feliz com ela é o caralho, vem ser feliz comigo !
"Eu abro meus olhos e a primeira coisa que sinto é aquela ressaca que em geral segue umas boas doses de vodka. Boas doses de vodka e de… Como ela diz mesmo? Ah, sim. Vagabundas loiras. E qual é o nome dessa mesmo? Tanto faz. Pelo menos tem sono profundo e não se acorda com facilidade que nem algumas, pelo menos essa tem aquele loiro platinado horrível que as mulheres insistem em pintar. Pelo menos essa tem os olhos azuis e tão superficiais que quase dá para tocar na futilidade que eles exalam. E, por pouco segundos, me permitem esquecer que… Porra. A ressaca não foi a primeira coisa que veio à minha mente assim que eu acordei. Não, nunca é. São quatro e meia da manhã, eu estou saindo do apartamento de alguma garota que eu nem sei o nome. Eu acabo de foder ela. Acabo de ter o que qualquer garoto quer, e… Porra. Porra. Porra. Não é o que eu quero. O que eu quero tem nome, endereço, cabelos longos e castanhos. O que eu quero mora longe daqui, longe do alcance das minhas mãos e do meu corpo. Só que… Caralho. O que aconteceu comigo? Ela não tem nada demais. Além de um sorriso que pode derreter o mais duro dos corações e olhos tão frios que me fazem ter vontade de esquentá-la. É que nem os caras vivem me dizendo - eu só preciso de um ar fresco, um tempo longe dela e muitas mulheres para tirarem aquela pele macia da minha cabeça. O único problema é essa voz irritante dentro da minha mente que vive repetindo que não, isso não é possível. Não importa o quanto eu tente, com quantas loiras eu durma… Sempre vai ser assim. Eu sempre vou acabar andando pelas ruas, de madrugada, correndo até a minha casa. E, durante todo o percurso, pensando nela. Não só nela, mas em nós dois. É quase deprimente a maneira como uma única garota pode mudar uma vida inteira de zoação e promessas de desamor. Mas… É isso que aqueles malditos cabelos castanhos fizeram comigo. Me transformaram num desses babacas românticos que saem por aí cantarolando músicas sem sentido e ficam felizes apenas por poderem falar com a garota. Ela me transformou num desses caretas que correria pelo mundo e se ajoelharia em cima da Torre Eiffel para pedir alguém em casamento.
(Alguém, não. Ela.)
Só que, mesmo assim, não podia ser amor. Amor é algo tão… Fraco. Amar é a maior fraqueza que um ser humano pode sentir, e ela só me deixava mais forte. Eu não sabia o que era, mas essa coisa fazia com que eu me sentisse invencível, como se nada no mundo pudesse me deter, desde que ela estivesse por perto. E esse é o problema. Eu a afastei de forma tão fugaz, como se eu estivesse sonhando. Nós estávamos tão perto de ter tudo, tão longe do resto do mundo. E, então, eu a vi desaparecer por entre os meus dedos. A última coisa que enxerguei foi seu olhar triste me encarando e dizendo que eu deveria sentir muito. Que eu deveria ser aquele que a salva, não que a sua ruína. Eu esperei as palavras de repreensão, esperei pelos gritos de raiva e pelo completo ódio vindo dela. E não recebi isso… Só o seu silêncio. Ela me olhou o tempo todo enquanto se afastava. E eu quis correr, quis agarrá-la, tê-la comigo para sempre. Mas ela foi mais rápida, e sumiu. Assim que o último fio de seus cabelos deixou minha vista, eu me arrependi para sempre por não ter insistido um pouco mais.
E é exatamente por isso que, nesse exato momento, eu estou deitado na minha cama, com o telefone na mão e a vontade de ouvir sua voz presa na garganta. São quase cinco, mas eu a conheço. Ela não dorme sem ver o nascer do sol. Não em dias frios como hoje, não quando a lua brilha tão forte lá no céu. Eu quase posso imaginar ela sentada na sua cama, com algum livro surrado entre as mãos e as cobertas tapando-a até o nariz. Eu quase posso senti-la…
E é exatamente por isso que eu não consigo evitar o ímpeto de discar seu número e ficar igual a um retardado esperando pela resposta que talvez nunca venha. É por causa de toda essa confusão dentro de mim que eu espero conseguir achar uma resposta pra essa pergunta silenciosa que venho me fazendo faz tanto tempo… Será mesmo que eu – não. Não pode ser.
- Você não cansa mesmo, não é? – Eu estava distraído e essa voz me acerta em cheio. Eu sempre espero o dia em que eu vou te ligar e não vou sentir nada quando você atender. Nem meu coração começar a se agitar, nem minhas mãos quase tremerem. Mas essa voz de veludo, calma, baixa e ligeira, sempre me atinge da mesma maneira. Sempre faz com que eu pense coisas impossíveis.
- Achei que já tivesse se acostumado com a ideia. Talvez eu nunca canse de você.
(Silêncio.)
- E se eu me cansar? Não sei se já lhe ocorreu esse pensamento, no meio do teu ego inflado. Mas, talvez, eu já esteja cansada faz muito tempo, Henrique.
Meu nome nos seus lábios faz com que eu revire meus olhos para não pensar nas besteiras que poderiam ser ditas nesse momento. Por que, infelizmente, não há mais espaço para essas baboseiras serem ditas. Acabou-se o tempo em que você ria de tudo o que eu falava, que você ficava vermelha com insinuações. Você cresceu, garota. Cresceu rápido demais.
- Na verdade, me ocorre isso o tempo todo. Por isso que eu insisto em ligar, sabe? É a minha forma de te informar que eu não esqueci. Nem me cansei. Tem também toda aquela coisa batida de querer ouvir sua voz e saber como você está… Mas também é pra saber se você ainda não me esqueceu. Se não encontrou outro peito pra se deitar, outra boca pra… Pra ser melhor do que eu fui.
- Henrique…
- Diga.
- Você já sabe que não. Que merda. Você sabe que eu não encontrei outro alguém, e me liga para fazer essa tortura psicológica. Afinal… Quantas garotas foram nessa última semana? Três, quatro? Henrique. Você é sempre assim. Aposto que acabou de sair da casa de uma dessas suas mulherzinhas sem sal, e daí me ligou pra dizer que eu faço falta. Por que eu sou a única que tem um QI positivo. Mas você não sabe como é aqui, Henrique. Você não tem ideia de como as coisas tem sido pra mim. Você se diverte, esquece por uns momentos… Eu não. Eu não sei mais o que fazer para tirar você da minha cabeça.
(Silêncio.)
- Não é sempre assim, Anna. Não é como se ir para a cama com qualquer uma pudesse tirar você da minha cabeça. Acredite se quiser, não tira. Se tirasse, eu teria dormido e feito café-da-manhã para elas, não? Eu teria sido o príncipe que você já me acusou ser. O fato é que essa parte minha só acontece contigo. Eu quero te fazer bem, Anna. Tu não tem ideia do quanto. Mas você não deixa. Se eu me aproximo, você me joga fora. Porra, Ana.
E tudo seria tão mais fácil se eu simplesmente não me importasse, como você sempre disse que eu não me importo. Tudo seria tão mais simples se parte de mim não quisesse sair correndo de onde eu estou para ir te ver, te abraçar, te ter mais uma vez. Se eu não largasse tudo que eu tenho por apenas uma noite na tua companhia. Se a tua voz não fosse a mais reconfortante. Se até o teu suspiro não despertasse o meu lado mais selvagem. Tudo seria tão simples se eu não te quisesse com a vontade de uma criança que grita pelos pais.
- E você acha, Henrique, que merece outra coisa?
(Não.)
- Sim.
- Henrique, por favor…
- Ana.
(Silêncio.)
- Não me vem com essas tuas súplicas dengosas e abafadas. Por favor digo eu, Anna. Não faz essa voz e pede pra eu te esquecer. Não faz isso comigo.
Eu começo a escutar um choro baixinho e abafado, e desejo com todas as minhas forças estar ao teu lado para poder te abraçar.
- Não, Henrique. Eu já te dei minha condição. – silêncio – Se me quer, vai ter que me amar por inteiro. Vai ter que ser capaz de admitir para o mundo o que sente por mim, certo? Se não, nada feito.
- Então, é isso? Acabou?
(Silêncio.)
- Ana?
- Não, Henrique, não acabou. Nós dois não chegamos nem a começar.
(Se não começamos, por que você não desliga o telefone e me manda embora? Se nunca houve nada, por que eu ainda escuto a sua respiração se igualar à minha? Me explica, meu Deus. Me explica o que é essa coisa que sempre me faz voltar para você. Essa coisa que emana do teu corpo e me faz querer ficar, quando tudo que eu sempre quis foi fugir.)
- Então, Anna, se a gente nunca existiu, qual o sentido disso tudo?
- Disso tudo o quê?
(Silêncio.)
- Não finge que não sabe do que eu estou falando, Anna. Eu passei meses atrás de algo que me fizesse esquecer, e não encontrei. Você fez o mesmo, e continua escrevendo nesses seus malditos diários como nunca vai encontrar alguém como eu. Nega o quanto quiser, mas você sabe que no fundo eu fiz com que você se sentisse viva, pela, possivelmente, primeira vez na tua vida. Eu sei como você se sente, por que eu sinto o mesmo, Anna. Droga.
- Henrique… Chega disso. De que adianta? Como você mesmo disse: qual o sentido disso tudo? A gente vai fazer as pazes, vai ficar bem por um tempo e depois você vai querer voltar para a sua vida. E como eu fico? Você nunca vai mudar, Henrique. Sempre vai ser essa mesma criança imatura que não consegue admitir os sentimentos por mim. O mesmo menino que se esconde toda vez que dá de cara com alguma coisa séria e significativa… Você nunca vai mudar, e essa é uma das razões pelas quais eu te amo. Quase como se você trouxesse de volta a parte imatura que eu nunca existiu em mim.
(Silêncio.)
- Henrique, ainda ta aí?
- Sim.
- Era isso que você queria ouvir?
(Sim, isso e como você está pegando um táxi e correndo para o meu apartamento. Isso e como você mudou de ideia a respeito de nós dois, e quer me deixar tentar de novo. Isso e como você não se importa com todos os meus defeitos, como você acha bonitinha a maneira como você me deixa sem fala. Como você pode ignorar os meus pecados e ver apenas o bom de nós dois. Só que…)
- Na verdade, não.
- Não? - Eu queria ouvir você me mandando embora e dizendo que eu sou um canalha por ainda pensar em te ligar. Ou que você já tinha se esquecido do meu nome e não queria me ver nunca mais. Sei lá, eu queria ver se assim fica mais te tirar da minha cabeça.
- Eu não minto. Pelo menos não para você, Henrique.
- Esse é o problema. Eu também não. E por isso…
- E por isso não pode me amar.
- Ana.
- Não diz mais nada, por favor.
- Ana. Me escuta.
- Henrique, desculpa. Eu já escutei demais… Escutei demais por anos. Agora, chega. Eu te amo, você sabe disso. Eu sempre vou estar aqui, inconscientemente. De alma. Mas eu… Eu tenho que ir, Henrique. Tenho que seguir meu rumo, arrumar algumas novas histórias. Tenho que esquecer você, custe o que custar.
(Silêncio.)
- Henrique?
- Estou aqui.
- Se quiser ouvir minha voz, me ver, se bater a vontade de nós dois… Engole pra ti, por favor.
- O que isso significa?
- Não me liga mais.
- Ana.
(Silêncio.)
- Você me enfraquece.
- Adeus, Henrique.
(Não, por favor, não…)
- Esper…
(Linha muda.)
(Silêncio.)
- Eu te amo."
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About me

Eu sou aprendiz, estou aprendendo a viver. Mais do que isso estou aprendendo quem sou eu, mas até agora, sei muito pouco. Sei que não sou interessante, que sou clichê, infantil, pouco criativa, superestimada e que, no final das contas, confio demais naqueles que não sou eu. Ultimamente aprendi também que tenho sentimentos e que não lido muito bem com eles; faço piadas pra falar sério e tenho medo de mal interpretar as pessoas a minha volta. Ah, as pessoas. Sobre essas aprendi que elas estão, de alguma maneira, sempre em primeiro lugar na minha lista de prioridades, mesmo que eu não ocupe a mesma posição na delas. Não posso deixar de apontar que ando um tanto pessimista, mas afinal quem não é ? Em um mundo onde os sentimentos fortes, pesados e principalmente ruins, fazem lindas poesias, músicas e arte num geral, além de evitar certas decepções, é preciso ser um pouco. Já dizia o samba ‘quanto mais triste mais bonito soa’ e ainda não consegui discordar. Aprendi que tenho vícios, sendo os mais fortes a literatura e a filosofia. As palavras, as frases, a escrita e por aqui, através das minhas amadas letras, eu me expresso ou almenos tento. E um dia quem sabe, eu aprendo.
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The rest is still unwritten ...
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.
-Clarisse Lispector
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